ter. jul 16th, 2019

O agravamento da crise na Venezuela pode levar a um conflito global sistêmico

A Venezuela, assim como a Síria, se transformou em um tabuleiro de um perigoso jogo. Os diferentes jogadores movimentam suas peças com cuidado e destreza, pois um movimento em falso pode gerar consequências inimagináveis.

O narco-tirano Nicolás Maduro conta com o apoio do bloco eurasiano (Rússia e China) e dos islamitas (Turquia). O presidente russo, Vladimir Putin, tornou-se o fiador do regime bolivariano de Maduro, prometendo investir US$ 6 bilhões na Venezuela. A maior parte dos investimentos russos seriam voltados para a extração de petróleo e gás, já que as maiores reservas desses elementos foram descobertas na Venezuela, fazendo-a ultrapassar a Arábia Saudita.

Esses fatos pesaram na balança para que Rússia passasse a tratar a Venezuela como seu protetorado na América. Exercícios militares conjuntos entre tropas bolivarianas, russas e até iranianas estão acontecendo.

Na última quinta-feira o porta-voz do Ministério do Exterior da China, Hua Chunying, afirmou: “A China apoia os esforços da Venezuela para preservar sua soberania nacional, independência e estabilidade”. A China frisou que não permitirá uma “intromissão” estrangeira nos assuntos externos da Venezuela.

A crise interna no país se agravou após Nicolás Maduro tomar posse como presidente da Venezuela de forma ilegitima, sem prestar juramento diante do parlamento. Diante disso, o presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, senador Juan Guaidó, prestou juramento como presidente interino diante de uma multidão reunida em Caracas. Imediatamente, Estados Unidos, Brasil e os demais países que formam o Grupo de Lima reconheceram Juan Guaidó como legítimo líder da Venezuela.

Agora temos duas forças que lutam pelo controle sobre o território venezuelano. Uma delas é o regime tirânico de Maduro, sustentado pela maior parte das forças armadas bolivarianas (que começam a passar para o outro lado), pelo Império Eurasiano e pelos islamitas turcos e iranianos. Do outro lado temos a Assembleia Nacional legitimamente eleita pela população venezuelana, apoiada pelos países soberanistas da América e por alguns países globalistas como o Canadá. A União Europeia está tímida em apoiar abertamente Guaidó, pois poderá sofrer represálias da Rússia através da interrupção do fornecimento de gás russo para o continente.

Esse acontecimentos lembram muito a Guerra Civil Espanhola. O conflito ocorrido entre 1936 e 1939 colocou fascistas de um lado, sob a liderança de Francisco Franco com o apoio de Hitler e Mussolini, e comunistas de outro, com apoio da União Soviética de Stalin. Essa guerra na Espanha serviu como uma prévia da II Guerra Mundial. Uma guerra civil na Venezuela pode representar a mesma coisa em nossos dias.

Os próximos passos devem ser dados com cuidado, porque a queda forçada de Maduro pode levar esses poderosos blocos a uma guerra sistêmica de abrangência global.

1 thought on “Tabuleiro Venezuelano

  1. Excelente abordagem; com forte embasamento de Geopolítica; mas é preciso também considerar que Juan Guaidó também se trata de um Socialista Fabiano, mas pode ser menos pior que o Ditador Maduro.

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