sáb. ago 17th, 2019

O motivo por que você, cristão, não pode ser de esquerda – parte I

Há uma ideia bastante equivocada acerca do pensamento de esquerda que circunda a sociedade. Sobretudo no meio evangélico, ao qual faço parte, tem-se difundido de há muito a concepção de esquerda como sendo a ala política que gosta dos pobres, que os ajuda e quer -por assim dizer- o bem da humanidade. Em contraponto à direita, que só pensa no lucro a qualquer preço, na manutenção das diferenciações de classe e injustiças no mundo -tal qual apregoou Marx no século XIX- na qual bancos e empresas sairão sempre ganhando em vista das pessoas comuns, como nós. Há ainda a feliz esperança de que, com a alçada de um governo esquerdista, teremos mais justiça, ética e combate à corrupção. Do outro lado, nem preciso dizer, espera-se sempre o exato oposto. A máquina da propaganda esquerdista funcionou muito bem para espalhar mentiras com ares de verdade no mundo durante o século XX, conforme muito bem documentado por Ion Mihai Pacepa em desinformação. Ademais, tanto o socialismo, como o comunismo, nada mais são do que a instituição da espoliação e da inveja legalizados pelo Estado, algo condenado na Bíblia.

Por esquerda, para você menos familiarizado com o tema e os termos, entenda: socialistas (ou socialismo), comunistas (ou comunismo) ou progressistas. Já na direita temos algumas classes de liberais (não confunda com o liberal no sentido teológico do termo; aqui trato de uma linha histórica ligada a um centro de estudos econômicos e filosóficos chamado: Escola Austríaca. Pretendemos, com o tempo, trazer mais informação acerca desses pensadores), alas ligadas ao monarquismo (no caso brasileiro, ligado à nossa raiz histórica. Isto já abordamos algumas vezes. Há razões históricas críveis para ter na restauração da Monarquia brasileira como regime administrativo no país a volta de um verdadeiro Espírito nacionalista e de respeito para com as coisas públicas) e os conservadores, antagônicos aos progressistas.

No título, este texto pode parecer a você um tanto doutrinário, mas trataremos de fatos históricos e pensamentos de pessoas basilares dentro do esquerdismo mundial. O assunto esquerdismo é longo, portanto tentarei ser o mais breve e menos cansativo possível, de maneira que este texto será somente algo introdutório e ligado estritamente à igreja/religião, por conta do público ao qual quero me dirigir, onde lhe mostrarei que, na base, as doutrinas socialistas, comunistas (mas, não só essas, como as fascistas, positivistas e nazistas, todas oriundas de algo maior, chamado por pensadores bem mais estudados no assunto -como Olavo de Carvalho- de movimento revolucionário) querem o fim da religião, sobretudo a destruição do Cristianismo -elemento basilar, através de sua moral judaico-cristã, do mundo Ocidental, do qual fazemos parte enquanto brasileiros.

Comecemos por Karl Marx, o grande símbolo aglutinador da esquerda mundial. Sua ideia começa por igualar forçosamente a classe trabalhadora -a quem ele chama proletariado- com a classe detentora dos meios de produção e empregadores dos assalariados -que ficou denominada burguesia. O meio principal que ele usa para isso é a tomada dos meios de produção (fábricas e fazendas, por exemplo) para o Estado. Este passaria a fazer uma distribuição igualitária de renda pela via governamental, eliminando o lucro e, assim, as diferenciações de classe social -seria o advento da ditadura do proletariado, conforme ele mesmo a chama. Lênin, já em 1917 na Revolução Bolchevique Russa, chega ao intento através de uma vanguarda armada que representa o proletariado; ela, então, toma o Estado e instaura a ditadura, seguindo as premissas de Marx. Vale lembrar que o velho Karl não deixa um método de aplicação sobre como implementar essa ditadura; ele só diz que ela deve ocorrer e como a passagem para a sociedade comunista deve acontecer (por exemplo, através de tributação progressiva, ensino público e universal dado pelo Estado, etc).

No panfleto Manifesto do Partido Comunista, escrito por ele e por seu colega e grande financiador Friedrich Engels, encontramos as seguintes passagens: “as condições de vida da velha sociedade estão aniquiladas já nas condições de vida do proletariado […] as leis, a moral, a religião, são para ele outros tantos preconceitos burgueses […] além disso existem verdades eternas, como liberdade, justiça, etc, que são comuns a todos os estágios sociais. Mas, o comunismo abole as verdades eternas, abole a religião, a moral, em vez de as configurar de novo, contradiz, portanto, todos os desenvolvimentos históricos até aqui”. (Manifesto do Partido Comunista págs. 39 e 46 -os grifos são meus).

A sana deles em acabar com o capitalismo, sempre foi, na verdade, para destronar Deus (entenda melhor isso lendo: Marx e satã -ou: era Karl Marx um satanista?- livreto do Pr. Luterano Richard Wambrung). Ainda falando sobre os teóricos socialistas, Engels terminou um livro iniciado por Marx que se chama: a origem da família, da propriedade privada e do Estado, onde mostra que o conceito tradicional de família, formada nas bases cristãs da sociedade ocidental, é só mais uma construção social burguesa. Sendo assim, ela é a mesma relação de dominação que se vê nas fábricas entre burgueses e proletários, só que posta em prática dentro das casas operárias -o marido subjuga a mulher, e ambos, por sua vez, subjugam os filhos; um espelho da dominação econômica socialmente vivida. Já no prefácio à quarta edição vemos o seguinte: “até o início da década de sessenta, não se poderia sequer pensar em uma história da família. As ciências históricas ainda se achavam, nesse domínio sob influência dos cinco livros de Moisés. A forma patriarcal da família, pintada nesses cinco livros com maior riqueza de minúcias do que em qualquer outro lugar, não somente era admitida, sem reservas, como a mais antiga, como também se identificava -descontando a poligamia- com a família burguesa de hoje…”. (A origem da família, da propriedade privada e do Estado. Pág. 06 -grifo meu).

Aqui fica claro que a ideia de desencorajamento da família à maneira bíblica era defendida muito antes do advento do século XX. Levar as crianças para o ensino público, universal e gratuito (como ‘coincidentemente’ acontece hoje, todos acham normal e obrigação do governo) é uma defesa feita no documento, afim de diminuir a influência da família sobre elas: “supressão da família! Até os mais radicais se indignam com este propósito infame dos comunistas. Sobre o que se assenta a família atual, a família burguesa? Sobre o capital, sobre o proveito privado. Completamente desenvolvida ela só existe para a burguesia: mas ela encontra o seu complemento na ausência forçada da família para os proletários e na prostituição pública. A família dos burgueses elimina-se naturalmente com o eliminar deste seu complemento, e ambos desaparecem com o desaparecer do capital. Censurai-nos por querermos suprimir a exploração das crianças pelos pais? Confessamos este crime. Mas, dizeis vós, nós suprimimos as relações mais íntimas ao pormos no lugar a educação doméstica e social. E não está também a vossa educação determinada pela sociedade? Pelas relações sociais em que educais, pela intromissão mais direta ou mais indireta da sociedade, por meio da escola? Os comunistas não inventam o efeito da sociedade sobre a educação; apenas transformam o seu caráter, arrancam a educação à influência da classe dominante […] educação pública e gratuita a todas as crianças”.

Concluo essa primeira parte da amostra que quero fazer: na base, a ideia esquerdista já nasce pré-determinada a destruir a construção de uma sociedade cristã. Esse intento foi alcançado, quando olhamos para a antiga URSS e seus satélites comunistas na Europa Oriental, onde o único Deus permitido era o Estado e o culto ao líder foi praticado (como ocorre ainda hoje na Rússia em algumas datas, com relação a Lênin e Stálin, os mais famosos ditadores soviéticos do século XX). Ainda hoje em países como China, Coréia do Norte, Cuba e Venezuela, além de várias ditaduras de esquerda africanas -como Angola-, a perseguição a cristãos católicos e protestantes é grande, pois não deve haver Deus na sociedade materialista. As igrejas existentes só podem funcionar sob tutela ideológica estatal e com o discurso permitido pelo partido. Há até relação entre o terrorismo islâmico e o marxismo, tema que aqui não teremos tempo para adentrar.

Na continuação, abordarei outros elementos de perseguição de hoje, em países livres e cristãos -como Brasil, EUA e alguns europeus-, em que a esquerda usa de várias artimanhas para tolher liberdades e implementar sua agenda de engenharia social, pautada nesses ideais que vêm intrincados e camuflados na teoria econômica de Marx, sob falso pretexto de igualdade das classes sociais. Aguardem. Até Quinta-feira!

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