dom. dez 16th, 2018

Como teremos um cooptador de funcionários públicos corporativistas e um social democrata aproveitador de votos da direita na disputa pelo segundo turno das eleições para o governo do estado de São Paulo.

A direita em São Paulo parece ter escolhido mal seus votos para governo do estado. Estamos em uma encruzilhada: ou elegeremos o Foro de São Paulo, representado na pessoa de Márcio França e seu partido PSB -signatário do maligno pacto esquerdista de dominação continental-  e que se utilizou do corporativismo natural que paira sobre o funcionalismo público para angariar votos, prometendo para estes aumentos salariais a rodo. Ou elegeremos um aproveitador, que, sendo marqueteiro como sabemos que é, viu uma oportunidade de projeção e surfou na onda do anti-petismo para eleger-se prefeito de São Paulo justamente pelo partido que se associou com o próprio PT por mais de 20 anos, fazendo uma oposição não ideológica, mas pelo poder, o jogo das tesouras para dividirem o poder no país, aniquilando a verdadeira direita brasileira. João Dória Júnior está no segundo turno para as eleições ao governo do estado de São Paulo, o mesmo estado que deu ao candidato genuinamente de direita à presidência da República, Jair Messias Bolsonaro, uma vitória acachapante ante as esquerdas, por 53% a 16% dos votos válidos.

Aproveitando-se do sentimento anti-esquerda que predomina a sociedade -e vale ressaltar que isso só foi alcançado graças a pessoas genuinamente de direita, dispostas a realmente esclarecerem a população brasileira acerca dos males e perigos do petismo e da esquerda em geral, na qual o próprio PSDB e o PSB estão inseridos. João Dória viu a oportunidade de surgir como a novidade da vez e ganhar a população que acordou para o perigo da esquerda a que Olavo de Carvalho e outros desmascararam.

E por quê digo que Dória é uma figura enganadora nesse sentido? Porque ele mesmo se declara um social democrata, e o diz com consciência justamente quando se refere ao seu partido (se clicar no link, veja o vídeo até o final). Qualquer pessoa que estude um pouco de história do pensamento político e da esquerda não afirmará que Dória é um direitista. Ao contrário, ele é a mais perfeita personificação do Fabianismo, do político social-democrata que quer um socialismo ‘meia bomba’ mesclado com um capitalismo, porque sabe que a economia planificada jamais dará certo (como Ludwig Von Mises já esclareceu desde os anos 1920), apelando até mesmo para as privatizações por diversas vezes, contingencialmente -como é o caso brasileiro, onde o Estado está falido e precisa de recursos. Muitos se enganam porque prometia desde que surgiu uma renovação política, ele se transmitiu como sendo a renovação que se fazia necessária ante o socialismo mais tradicional, mais marxista de certo modo, além dos vários casos de corrupção petistas.

O fato de ter empresas e ser do ramo empreendedor não faz de ninguém um direitista ou um capitalista. Lembremo-nos de que praticamente todos os filósofos da Escola de Frankfurt, raiz dos males culturais que temos hoje, eram ricos e empreendedores de origem judaica, porém marxistas. George Soros é mega bilionário e principal financiador das causas esquerdistas no mundo. Ademais, o fato de Dória nunca ter se declarado marxista ou de esquerda, mas social democrata, o coloca muito mais próximo do esquerdismo mundial, inclusive do progressismo da Escola de Frankfurt, do que o próprio petismo, que nesse sentido é mais ortodoxo e ligado a outras escolas marxistas, como a do teórico Antônio Gramsci.

João Dória foi a tábua de salvação do PSDB quando o partido esteve à beira do abismo, resgatando a prefeitura de São Paulo e, agora, o governo do estado de mesmo nome. É o principal agente político que trouxe à cena a estratégia das tesouras. Assim que o PT perdeu força e poderíamos realmente mudar o cenário político regional, sacaram da manga um sujeito de fora da política e que se dizia um gestor, não um político. Assim, mantendo o tom da boa e velha estratégia mencionada, a hora em que PT saiu de cena, PSDB tomou o seu lugar, mantendo a esquerda no poder, mudando só o tom do vermelho. Vale ressaltar que tínhamos a opção pelo major Olímpio, ou seja, não precisaríamos necessariamente recolocar a velha esquerda embolorada no poder.

Não bastasse tudo isso, até hoje Dória (que, é bom frisar, só apareceu para a política por conta de seu mentor Geraldo Alckmin, que o lançou para prefeito já pensando em tirar proveito da gestão paulistana na sua campanha para a eleição à presidência da República de 2018) segue se aproveitando do velho jogo retórico que lhe rendeu a eleição em 2016: não ser um político. Porém, o que vemos é justamente um sujeito que se aproveita das oportunidades políticas que lhe aparecem: prometeu levar seu mandato à frente da Prefeitura de São Paulo até o fim de 2020. Mas, já o largou para concorrer ao Governo do estado de São Paulo. Claramente, essa é uma manobra política, inclusive de quem está já pensando na disputa de 2022 para a Presidência. Além do mais, o mesmo personagem que há pouco tempo vociferava contra Bolsonaro, agora passou a apoiá-lo, porque é estrategicamente útil eleitoralmente (outra manobra política). Ele percebeu que a parcela de eleitores de direita em São Paulo ainda está optando erroneamente pelo PSDB e dando muito ouvido à pauta econômica, na qual ele realmente tem algo em comum com o candidato à presidência direitista. Porém, no momento mesmo em que deixou claro seu apoio ao candidato, ele afirmou que a proximidade na questão econômica com Paulo Guedes é a única que chama sua atenção e que não concorda de verdade com o candidato. Ou seja, fará um uso utilitarista de seu eleitorado. Como eu já mencionei, o fato de ele vociferar contra o esquerdismo em geral e contra o PT só quer dizer que ele se aproveitou de um momento histórico de queda na popularidade de tal pensamento. Isso seria excelente, se ele fosse uma pessoa genuinamente de direita. E não se confunda: a crítica aqui não é a mesma crítica da esquerda, dos petistas. É uma crítica justamente com a finalidade de abrir os olhos dos eleitores de Bolsonaro que cometeram um erro nessa eleição ao darem seus votos ao ‘falso inimigo’ estratégico do PT.

Pergunte-se: onde estava João Dória e toda sua indignação contra o petismo durante o governo de Lula? E no mensalão? E em 2014, quando Dilma ganhou? Ele é a favor do estatuto do desarmamento? de cotas? Vai apoiar Jair Bolsonaro nessas questões a partir de 01 de janeiro de 2019? Ou só nos interessa o que ele pensa a respeito da economia, mesmo sendo esta parte do problema do Brasil, não o único problema. A revogação do estatuto do desarmamento, ao meu ver, é de longe mais importante que a questão econômica, pois ninguém gera riqueza se tiver medo de sair na rua e morrer; produtores rurais não produzirão com segurança se houverem invasores de terras às portas e cargas sendo roubadas já nas porteiras das fazendas. Será que, para Dória, Jair Messias Bolsonaro é um fascista, ou misógeno, homofóbico, enfim, um extremista? Onde está a imprensa para perguntá-lo a respeito disso? Fazendo como Marco Antônio Villa e Reinaldo Azevedo, que constantemente aliviam a barra do ex-prefeito quando o entrevistam ou falam dele? Ou, como outra parte dessa mesma grande imprensa faz, jogando Dória para a direita ‘aceitável’, mesmo que criticando-o, para poderem dizer que Bolsonaro é o ‘extremo’, a coisa horrenda da direita inaceitável?

Infelizmente, teremos de optar mais uma vez por um voto estratégico. Porque, apesar de todos esses fatos e o contrassenso do voto em Dória e Bolsonaro, ele ainda é a opção ‘menos pior’ do que Márcio França -que representa todo o mal que vivemos no país desde 1990, quando Lula e Fidel Castro criaram o Foro de São Paulo, e por isso consegue ser a opção menos viável entre os dois. Teremos de escolher entre o socialista e o social democrata, uma vez que não optamos pelo único candidato de direita do pleito, e apoiado por Bolsonaro, Rodrigo Tavares. Teremos de esperar mais quatro anos para tentar frear de verdade a criminalidade, liberalizar de verdade a economia paulista baixando impostos estaduais, tentar barrar um pouco a invasão de professores que doutrinam socialismo e gênero nas escolas públicas do governo do estado, reprimir de verdade grupos como MST e MTST, cobrar trabalho dos funcionários públicos e desinchar a máquina pública, etc.

 

Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come. Essa é a máxima de uma eleição onde teremos novamente socialismo Fabiano ante socialismo ortodoxo -PSDB x PSB.

1 thought on “A farsa chamada João Dória

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