dom. dez 16th, 2018

Fatos do primeiro turno: houve fraude?

No último domingo, 7 de outubro, data do primeiro turno, o pleito foi marcado por um cenário completamente atípico no país: pela primeira vez em muitos anos, tivemos realmente um candidato de direita, conservador, disputando o Planalto.

Tal situação despertou paixões de ambos os lados, tanto à direita quanto à esquerda.

À direita porque novamente, desde uma data que já não se tinha memória, os cristãos e conservadores finalmente tinham voz.

À esquerda porque viram o discurso de que conservador é sinônimo de fascista, caindo por terra, nocauteado, para não se levantar nunca mais, pelo menos não aqui; viram-se encolhidos em uma bolha, falando apenas para os convertidos ao socialismo e comunismo, ditos progressistas.

O candidato Bolsonaro, diga-se de passagem, está a meu ver entre os melhores comunicadores do país (para não dizer da América Latina), não por uma preferência pessoal, mas por uma visão científica do assunto: ele conseguiu, em sua simplicidade, falar o idioma do povo, trazer as pautas políticas numa linguagem inteligível para a maioria, que conseguiu finalmente entender o elo entre o número de homicídios e o que é possível fazer de dentro da política. Isto, agregou seu público, e este por sua vez, tornou-se uma maioria esmagadora. O capitão pode ser um mau orador, mas é um excelente comunicador.

A esquerda viu-se acuada num discurso batido e prolixo de luta de classes que se apresenta como “defesa de minorias“, que por sua vez nem sempre são minorias: entre mulheres, negros e homossexuais, por exemplo, mulheres não são numericamente uma minoria, mas acabaram abarcadas no mesmo discurso. Tal discurso gera um sentimento a partir de princípios de uma ética adaptada do marxismo que desenvolve uma visão econômica de assistência social, que encontra suas realizações finais em sistemas de cotas e bolsas, como é o caso do Bolsa Família.

Então, entre o “discurso de minorias” e as propostas econômicas decorrentes, a mesma esquerda viu-se cercada e sem saída.

Eis aí o cenário de guerra no qual Bolsonaro como mais expressivo expoente conservador surgiu.

Do outro lado, figuras caricatas surgiram.

Marina Silva com seu estranho discurso indeciso que tenta uma dialética absurda apostando no feminismo e ao mesmo tempo no cristianismo, que acabou por torna-la mal vista pela direita, que nela viu uma feminista e pela esquerda que nela viu uma evangélica. Aos olhos do eleitorado ela já não cabia em lugar nenhum no espectro, mas entre seus pares manteve-se à mesma esquerda que sempre pertenceu.

Ciro Gomes preparou-se, saiu do Brasil, viajou em busca de conhecimento e ausente de tudo buscou qualificar-se. Voltou para o pleito com a corda toda, um discurso elaborado, uma oratória admirável e propostas que conversavam com o público geral de forma eficiente, estabeleceu diálogo com a própria esquerda sobre como responder à sociedade as demandas emergentes da segurança pública, afastando-se dos exageros de compaixão cometidos pelos defensores dos direitos humanos, e respostas no campo econômico que chegavam a causar perplexidade. Um adversário fenomenal esperava-se deste sujeito que até seu temperamento procurou ajustar por um tempo. Com todo este perigo para a direita, seduzindo inclusive eleitores indecisos, apolíticos, e até conservadores, aos 35 do primeiro tempo ele afundou o próprio barco com sua tradição autofágica: prometeu tirar todos os brasileiros do SCPC, virou piada, caiu no descrédito e viu sua candidatura rumar ladeira abaixo, e mesmo assim não se tornou um concorrente desprezível para seus eleitores e entusiastas, alcançou uma expressiva votação e ficou em terceiro lugar na maioria dos estados, chegando a ganhar aqui e ali, sem contar o exterior, onde teve maioria na Alemanha e Paris. Um típico sujeito de esquerda, que precisa manobrar-se para encontrar apoio de seus adversários e arrisca cair em contradições diversas, mas que sobrevive.

Entre novos nomes que tão somente apresentaram-se, como Cabo Daciolo, Guilherme Boulos, Henrique Meirelles, Alvaro Dias, João Amoedo e demais, sobrou Fernando Haddad.

Haddad era o candidato mais improvável da esquerda: inexpressivo, desconhecido pelo país, rejeitado na capital de São Paulo, onde foi avaliado como péssimo prefeito, mas que caiu nas graças de Lula. Talvez por falta de escolha, talvez por outro motivo que não consigo imaginar. Haviam nomes mais fortes no PT como Jaques Wagner que ganhou a simpatia do eleitorado da Bahia por um tempo, notoriamente seria uma melhor escolha para o partido do que Haddad. Lula no entanto, por algum misterioso motivo, escolheu o ex-prefeito desprezado, que aceitou a humilhação de ser chamado de “poste“, reconhecendo não ter qualquer mérito senão a indicação de seu padrinho encarcerado em Curitiba. Este, o ultraje feito carne, foi o “melhor” candidato da esquerda.

Ia me esquecendo do Alckmin, e acho que você também se esqueceria, mas este social democrata apostou no tempo de TV, o que é louvável pois significa oportunidade de comunicação com um público cativo e abrangente. Para tal, fechou alianças com o famigerado “centrão“, conquistou o maior investimento de campanha e conseguiu dar com os burros n’água entregando sua campanha a marqueteiros malucos, que resolveram que atacar o líder, porcamente, seria por algum motivo, uma excelente ideia. Entrou com tudo, saiu sem nada, foi esquecido antes do pleito, e conseguiu não apenas afundar-se, mas também ao partido (PSDB) e aos colegas mais evidentes. No fim, ninguém quer nem aparecer com ele para tirar uma foto: ficou feio mesmo.

Estas acima são somente impressões sobre as causas e efeitos dos candidatos mais expressivos, na tentativa de montar um cenário que ofereça uma idiossincrasia especial para o primeiro turno de 2018.

Mas agora, vamos para o dia 7 de outubro direto. O que esperava-se? E o que de fato ocorreu?

Os institutos de pesquisa trouxeram os seguintes dados.

Segundo o Ibope, publicada em 6 de outubro, dia anterior à votação:

Nos votos válidos, Bolsonaro tem 41% e Haddad 25%

Segundo o Datafolha, publicada em 7 de outubro, dia da própria eleição:

Bolsonaro tem 40% dos válidos na véspera do 1º turno

O dia correu numa tensão permanente de esforço árduo para acompanhar, minuto a minuto, o que se passaria.

Denúncias, flagrantes, boletins de ocorrência, quebra paus em zonas eleitorais, polícia pra todo lado, redes sociais pegando fogo, telefone tocando a cada 10 minutos com novas informações, sites pipocando notícias internet afora, enfim, a turbulência tomou conta do vôo e o pouso era um mistério.

Devo contudo admitir que o dia abriu com excelentes expectativas. Logo pela manhã o fechamento das eleições no oriente do planeta revelavam Bolsonaro com uma vitória expressiva de 71,97% dos votos.

Logo em seguida veio a primeira bomba: urnas em Brasília apresentaram um problema com a “zerézima“, uma espécie de relatório que demonstra que a urna está com zero votos, vazia e portanto pronta para iniciar a votação. Desta ligação que variava entre queixa técnica e denúncia de fraude, novos dados surgiram e o mesmo problema constatou-se por todo o país.

Poucos minutos depois, a internet havia sido tomada de áudios, vídeos, documentos, e demais, todos contendo depoimentos com queixas sobre o funcionamento destes aparelhos, que curiosamente desfavoreciam sempre o mesmo candidato. Fiz uma espécie de compilado que chamei de “Enxurrada de denúncias de fraude eleitoral inunda redes sociais“, e talvez o fato mais expressivo tenha sido o cidadão alagoano que abriu um Boletim de Ocorrência para documentar sua experiência na votação eletrônica.

No entanto se dentro do país a tensão no ar poderia ser cortada facilmente por uma tesoura sem fio, no exterior as coisas aconteciam com razoável tranquilidade e clima festivo: as notícias da Europa e do Oriente Médio começavam a chegar, e nelas em Portugal e Israel, Bolsonaro havia vencido, repetindo a mesma larga vantagem que alcançara no Oriente pela manhã, e embora não houvesse alcançado o mesmo resultado na França e Alemanha, era ainda um resultado razoável. Nestes dois últimos países, o adversário do capitão que insistia em crescer, contrariando todas as pesquisas era Ciro Gomes, e Haddad por vezes não alcançava metade de seus votos do pedetista.

Minha visão do pleito era extremamente otimista: o resultado não seria divulgado até antes do fim da tarde, mas de todo Brasil, este que vos escreve, por algum motivo misterioso, tornou-se o destinatário de inúmeros mesários e fiscais, que enviavam por amigos os B. U. (Boletins de Urna), uma espécie de cupom impresso pela urna eletrônica, contendo os resultados das somas dos votos de cada candidato. Logo, eu me sentia capaz de estimar o sentimento do povo brasileiro, muito antes da divulgação dos resultados.

Acreditem: eu estava num otimismo digno de euforia, mirando o champagne dentro da geladeira e esperando momento de ver este povo livre.

As 18 horas a disputa deu-se por encerrada e os resultados começaram a aparecer.

Primeiro vieram os resultados para governador, senador, deputado e precisávamos esperar pelo fuso horário do Acre, para ter uma ideia do que seria este primeiro turno.

Quando iniciou-se a contagem, com 50% das urnas apuradas, uma vantagem razoável, mas um pouco decepcionante surgiu: Bolsonaro estava com 49% das intenções de voto, e estranhamente, Haddad estava logo atrás, com 21%.

Por que estranhei? Primeiro porque nos B. U., Bolsonaro estava muito a frente dos adversários, segundo porque o seu concorrente real nestes boletins não era Haddad, mas Ciro Gomes. Havia algo muito errado acontecendo: imaginem que, aproximadamente, para cada 100 do capitão, Ciro tinha 20 e Haddad 10. Era mais ou menos esta a proporção que me chegava, a conta não batia e cheguei a publicar no Facebook:

O fato é que a apuração foi aumentando Haddad e diminuindo Bolsonaro, até que chegamos ao seguinte cenário final.

Abaixo seguem alguns dos inúmeros B. U. (Boletins de Urna) que recebi, e que diziam algo muto diferente e contrário do resultado apresentado.

Clique para exibir o slide.

Da apuração em diante, acredito que tanto a mim quanto ao público que acompanhou esta jornada, os sentimentos tornaram-se em revolta e decepção.

No mesmo dia 7, as 15h22, a Agência Brasil, uma agência estatal de notícias, divulgava que 964 urnas haviam sido substituídas com “defeito e as 18h10 noticiava que o número havia chegado a 1.695.

“Ao todo, 147.302.357 brasileiros estiveram aptos a escolher o presidente da República, os governadores de 26 estados e do Distrito Federal, 54 senadores, 513 deputados federais, 1.035 deputados estaduais e 24 deputados distritais.” – Agência Brasil

Poucos momentos depois, o R7 noticiou que foram registradas 16.000 denúncias de “irregularidades com as urnas. Acredito que o jornalista do R7 tenha usado a palavra “irregularidades” temendo alguma represália do sistema, pois o que se viu foi uma coincidência dos diabos: todas as “irregularidades“, absolutamente, prejudicavam um único candidato: Jair Bolsonaro. Coincidência monstruosa, diga-se de passagem, seria estatisticamente mais fácil ganhar na loteria acumulada sozinho que ter 16.000 máquinas que misteriosamente falharam contra um único candidato no país inteiro.

As notícias diziam que o nordeste havia votado 13. Por pura coincidência, a mesma notícia do R7 afirmava que a região com maior número de denúncias de urnas, era justamente, o nordeste com 36,7%, estes 9 estados que são sempre usados para justificar o levante vermelho.

O dia 7 estendeu-se até o dia 10. Todos atônitos, com o que se passava à frente debaixo de seus narizes, sentido-se impotentes e entregues na mão de seus algozes.

A caminho do fim deste episódio, o absurdo se estendeu. O ministro Raul Jungmann declarou que haveria investigação e punição, mas para os denunciantes e não para os denunciados. Isto deixou muitos indignados, com destaque para o filósofo, escritor e professor, Olavo de Carvalho que em seu canal no Youtube expôs sua análise sobre a posição do ministro.

Segundo dados da Agência Brasil, a votação apresentou os resultados abaixo por estado:

Separei o nordeste ao lado pois foram os 9 estados onde em primeiro lugar registrou-se o maior número de denúncias na votação, em segundo lugar porque há uma incoerência que a lógica revelará na análise abaixo, com relação aos senadores, deputados e governadores, observem.

Senadores

Como se pode perceber, o PT elegeu apenas 3 senadores e nenhum com votação expressiva: em Sergipe o Rogerio Carvalho ficou em segundo lugar, na Bahia que nos últimos anos tem sido um estado bastante favorável ao Partido dos Trabalhadores e portanto não seria de se estranhar uma larga vantagem do partido, Jaques Wagner (35,71%) ficou apenas 3 pontos à frente de Angelo Coronel (32,97%). Por fim em Pernambuco, Humberto Costa (25,76%) ficou apenas 4 pontos à frente de Jarbas Vasconcelos (21,51%).

Segundo a tabela acima, os nordeste não elegeu o PT, pelo contrário, o rejeitou. Então por que motivo, exclusivamente para presidente, estaria favorável àquele que foi considerado o pior prefeito de São Paulo, um desconhecido da região e ainda do partido que rejeitaram para os outros cargos eletivos? Não faz sentido. É tirar com a cara do nordestino.

Governadores

O PT alcançou 3 vitórias dos 9 estados com apenas 2 votações expressivas: Bahia e Ceará. Na Bahia não é novidade, este estado tem, como já mencionei uma preferência pelo partido. No Ceará, terra preferida de Ciro Gomes foi uma vitória considerável e surpreendente de Camilo Santana com 75,5%. Já no Piauí a vitória não foi com vantagem. No Rio Grande do Norte, deu segundo turno da Fatima Bezerra (PT) com o Carlos Eduardo (PDT) e portanto não foi uma vitória, embora sim, exista um eleitorado substancial.

Como se pode perceber, o nordeste não votou de fato tão a favor ao PT como querem fazer crer: 3 governadores e 3 senadores, não é uma votação que assegure dizer “o nordeste vota PT“, pelo contrário, o correto é dizer que “no nordeste, só a Bahia, realmente vota PT“, e nos outros 3 estados foi uma disputa de fato e não um curral eleitoral de voto cativo, como esperam que acreditemos.

Fica aqui novamente a pergunta: por que o nordeste que rejeitou o PT votaria Haddad? Eu não caio nessa.

Ademais, no dia 30 de setembro, com a saída do capitão do hospital, o que se registrou foi uma das maiores manifestações espontâneas nas ruas, da história do país: mais de cem cidades registraram apoio ao capitão.

E por que não lembrarmos que um ex-Psol tentou assassinar o capitão com uma facada e que o caso foi abafado pelas autoridades, sem muitas explicações? E diante disto, o que nos desautorizaria imaginar que a sede de poder da esquerda não fosse mais além? Oras, para quem tenta matar alguém, mentir pra outrem é apenas uma prática usual.

Para além disto e finalizando, com Bolsonaro elegeram-se: a mulher, o negro e o oriental, mais bem votados, respectivamente, Janaína Paschoal, Hélio Fernando e Kim Kataguiri. Racistão esse bolsonaro hein?! Foi a aposta no mérito, advinda destas próprias pessoas, que as alinhou ao capitão.

Agora é com vocês. Tirem suas próprias conclusões: houve fraude?

Para mim, Ricardo Roveran, houve. Sinto muito, mas não tenho qualquer motivo para pensar que não tenha acontecido.

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Source: terça livre

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