dom. dez 16th, 2018

ESTRATÉGIA DAS TESOURAS – Por quê PT e PSDB se unem contra Bolsonaro?

Há vários anos temos ouvido a imprensa dizer que há nas disputas eleitorais do Brasil uma direita e uma esquerda, representadas majoritariamente por PSDB e PT, respectivamente. Tudo o que estiver além desses discursos são extremos, sobretudo à direita. Porque essa mesma mídia está há anos aparelhada, foi tomada de militantes de esquerda (de acordo com a estratégia de Antônio Gramsci) e passou através dos anos a trabalhar em conluio com os governos de PT e PSDB -via financiamento através de grandes empresas estatais-.

Abriu-se a possibilidade para a criação de vários discursos, que parecendo serem verdades incontestes -uma vez que proferidos por grandes conglomerados de mídia camuflados de “reputação a zelar”, seriedade e imparcialidade-, foram com o decorrer dos anos, jogados para a população como verdades inabaláveis, mesmo sendo toscas mentiras, e fizeram-na crer que: a direita no Brasil são os militares e simpatizantes do extinto regime militar; que nos anos 1970 pessoas como José Dirceu, Aloysio Nunes, Dilma Roussef e José Serra (integrantes de PT e PSDB, hoje todos políticos) lutaram por democracia e não pela instauração no Brasil de um governo comunista nos moldes de Cuba; que o PSDB é direita e o PT é esquerda, por isso brigam.

Entre outras mentiras, tornadas verdades sem discussão. Ademais, essa mídia trabalhou durante anos omitindo fatos essenciais para o exercício da democracia no Brasil, como o fato de terem os dois partidos nascido juntos, ambos tendo como seu principal centro formador a intelectualidade da Universidade de São Paulo e as verdades por detrás do Foro de São Paulo -entidade supranacional criada por Fidel Castro e Lula, na intenção de fazer renascer o socialismo pós queda do muro de Berlim, só que na América Latina, e que, para isso, guiou a política externa de países da região.

Porém, isso tudo não passou de um teatro. Todos esses anos a população brasileira foi refém de um falso discurso da imprensa. Ela passou a nos fazer acreditar que o nascimento de dois grandes partidos de oposição seria a marca de uma democracia sólida, como ocorre com os EUA ou Inglaterra. Some-se à essa farsa vinda da imprensa, uma outra farsa que temos há anos no ensino -totalmente aparelhado e ideologicamente comprometido com os ideais socialistas, de esquerda-, onde aprendemos que esses dois partidos fazem oposição entre si, que políticas neoliberais adotadas por PSDB são de direita, que o PT tiraria milhões da miséria e que as ditaduras socialistas pelo mundo são paraísos na terra, e pronto: o discurso errado se afixou ainda mais na mentalidade dos brasileiros.

A essa dicotomia proposital, Vladimir Lênin deu o nome de: “estratégia das tesouras”. Ela consiste em pintar um esquerdismo mais brando (no caso brasileiro, o PSDB) como sendo direita, através de um partido mais radical e mais ativista (no caso, o PT), que angaria seus adeptos no meio cultural para se auto propagar e bancar a farsa de que o outro é a direita: os formadores de opinião, entre os professores, profissionais da imprensa, artistas e “intelectuais” (angariados estes que vão ser os que farão a propaganda do partido e suas políticas, acusando as políticas adversárias -que são as do esquerdismo brando- serem de direita, neoliberais, como dizem). Assim, ambos os partidos visam sufocar o verdadeiro discurso da direita na sociedade, tratando-o sempre como extremista e colando na direita um inimigo fantasioso e monstruoso perante a população, que na verdade não existe (por exemplo: que a direita -ou os conservadores- quer a volta do regime militar).

Tudo isso é feito para puxar o debate político para o campo da esquerda, onde as diferenças entre ambos não serão de gênero, mas de grau -ou seja, as propostas públicas serão discutidas dentro da cosmovisão de mundo da ideologia marxista, diferindo só entre mais ou menos esquerdismo. Por exemplo, ambos acham que a economia deve ser regulada e taxada, PT pouco mais e PSDB pouco menos, mas ambos concordam em essência na regulamentação e taxação (FHC criou a ANS, por exemplo, responsável pelo crescimento ano após ano dos preços dos planos de saúde. Veja o efeito nefasto aqui e aqui). Ambos financiaram o MST com verbas públicas, apoiam os sindicalistas que só querem mais privilégios, além de coadunar com doutrinação ideológica e de gênero em salas de aula e terem uma política econômica semelhante (embora essa seja a diferença mais significante entre ambos).

Se você hoje se assusta ao ver que PSDB e PT podem se unir em um eventual segundo turno contra Jair Bolsonaro, não se espante. Se você acha que é um absurdo que a propaganda de Alckmin ataque, mentirosa e covardemente, o candidato ainda hospitalizado, e nada fale dos anos de governo do PT que afundaram o Brasil, mesmo vendo o crescimento de Haddad nas pesquisas, não se escandalize. Esse é o jogo democrático -embora os ataques contra o Deputado Jair Messias Bolsonaro sejam imorais e antiéticos-, pois temos, após 30 anos, um embate verdadeiramente entre esquerda e direita, ambos com chance de vitória -ainda que desigual, pois só Bolsonaro representa ideias verdadeiramente conservadoras, enquanto Ciro Gomes, Fernando Haddad, Geraldo Alckmin, Guilherme Boulos e Marina Silva nada mais são que 50 tons de vermelho, dentro do mesmo esquerdismo.

Gostaria de fechar meu texto com uma breve citação do filósofo brasileiro Olavo de Carvalho:

“Assim, pois, todos já se esqueceram de que o PT e o PSDB foram essencialmente criações de um mesmo grupo de intelectuais esquerdistas empenhados em aplicar no Brasil o que Lênin chamava: ‘estratégia das tesouras’: a partilha do espaço político entre dois partidos de esquerda, um moderado, outro radical, de modo a eliminar toda a resistência conservadora ao avanço da hegemonia esquerdista e a desviar para a esquerda o quadro inteiro das possibilidades em disputa. Tendo-se esquecido disso, interpretam o predomínio temporário da esquerda moderada, que eles próprios instauraram para fins de transição, como efetivo império do ‘conservadorismo’, e então se sentem -sinceramente- oprimidos e jogados para escanteio no momento mesmo em que sua estratégia triunfa por completo”.

Império do fingimento, Olavo de Carvalho – Jornal da tarde, 20 de Junho de 2002 (retirado de: O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota, págs. 259-260).

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