ter. jan 22nd, 2019

O Anti-Bolsonarismo de Anti-Petistas

Os escândalos petistas escancarados pelo operação Lava-jato a partir de 2014, aliados à uma eleição escusa, obscura e fraudulenta, seguidos a partir de 2015 pelos movimentos que chegaram a levar mais de 2 milhões de brasileiros às ruas pedindo explicações do governo e o afastamento da incompetente ex-presidente Dilma (que, com sérias dificuldades em formar uma frase corretamente passava a mais claramente demonstrar sua incapacidade, infelizmente percebida de modo tardio pela maioria da população) tornou possível a ascensão de alguns jornalistas, pois seus discursos contra o PT e contra corrupção uniam pessoas honestas e preocupadas com a nação, os cidadãos de bem que estavam indo às ruas para se manifestar contra toda a desordem armada pelos partidos de esquerda no governo ou, se ficavam em casa, apoiavam os que iam às ruas.

Logo, por osmose, o discurso anti-petista desses profissionais da mídia começava a ecoar e chamar a atenção -de fato, à época eles estavam até prestando algum bom serviço, denunciando desmandos e falcatruas do governo que iam no sentido de barrar e conter a população que cobrava transparência, e de alguma maneira eles serviram como agentes de defesa do cidadão de bem contra os soldados do PT, que disseminavam o oposto nos seus canais de mídia, querendo colar a pecha de que a insatisfação era da pequena parcela rica da sociedade e as manifestações diminutas, assim sem representatividade. Foi um período de guerras de discursos e de informação.

 

Esse ensejo proporcionou a ascensão meteórica, entre outros, de pessoas como Reinaldo Azevedo e Marco Antônio Villa, notórios acusadores do PT e das esquerdas até os dias de hoje. Porém, engana-se quem pensa serem os dois aliados do povo nesse momento de convalescência do país pós a doença que foram os 13 anos e 5 meses de petismo e 8 anos de PSDBismo, onde enfim podemos de fato escrever uma história, um futuro diferente, para nosso país.

 

Reinaldo Azevedo era um bastião da defesa das investigações e descobertas feitas pela operação Lava-jato, um defensor inconteste do liberalismo econômico (e, nesse último ponto, acredito que continue sendo). Porém, houve uma sensível mudança em seu discurso quando duas coisas começaram a acontecer: ele passou a relativizar denúncias e criticar falas e atos dos coordenadores da força-tarefa da Lava-jato e da Polícia Federal -chegando ao absurdo de defender até mesmo Lula de algumas acusações!- no momento em que as investigações começaram a se aproximar do PSDB (tanto é que ele foi flagrado em uma ligação com a irmã do então senador Aécio Neves, numa conversa um tanto pessoal, demonstrando uma afinidade e proximidade grandiosa entre ambos, e consequentemente com o partido de Aécio) e também no momento em que passou a ser fato notório o crescimento nas intenções de voto para o então deputado federal Jair Messias Bolsonaro para concorrer à presidência do Brasil, sobretudo no meio das pessoas que foram às ruas com desejo de mudança e o acompanhavam pelo rádio e pela TV! Ou seja, um desgosto duplo para jornalista, que se viu ‘traído’ pelas pessoas as quais defendeu durante o impeachment de Dilma e via que finalmente haveria um candidato à direita para representar o eleitorado brasileiro médio, massivamente conservador, que jogaria de vez para ostracismo seu partido do coração, o PSDB!

Fora isso, desferia diversas ofensas e mentiras a respeito de Olavo de Carvalho quando apresentava o programa “Os pingos nos Is”, na rádio JovemPan.

 

Marco Antônio Villa já é um caso à parte. Companheiro de Reinaldo Azevedo na JovemPan, embora trocassem farpas por conta de seus egos inflados -talvez até pela repercussão bombástica que tiveram por suas opiniões à época, havia uma disputa tácita entre quem era o mais ‘sábio’ dentre os dois- este não chegou a oficialmente ter desmascarada sua ligação partidária como foi com Reinaldo (apesar de ser notória a preferência quando se comparam os pesos dos comentários de Villa feitos a pessoas da agremiação de Aécio Neves, João Dória Júnior e Fernando Henrique Cardoso).

Villa gosta de se exaltar, berrando no microfone da rádio todas as manhãs contra tudo e contra todos, agindo literalmente como um Maximilien Robis-Pierre que ao invés de guilhotinas decepando cabeças, tem um microfone aniquilando reputações, que espalham um ódio semelhante aos dos adversários petistas que ele diz combater. Isso quando não acaba por espalhar a difamação, com punição prevista em lei, e a desinformação –como quando chamou Bolsonaro e seus eleitores de nazistas. Mais recentemente trouxe como “análise política” no episódio da facada em Bolsonaro a mesma retórica esquerdista, de que um sujeito que foi por 7 anos filiado ao PSOL e, logo após o cometimento do crime, tinha todo um aparato jurídico para defendê-lo, além de vários celulares e computadores, era só mais um louco, alucinado –“lobo solitário, tresloucado”, nas suas palavras). Comentário ridículo, talvez até mal-intencionado!

Do mesmo modo que Reinaldo Azevedo, Marco Antônio Villa começou a atacar Bolsonaro e seus eleitores, que são as pessoas às quais ele também defendeu na época do processo de impedimento de Dilma Roussef e com quem esteve nos caminhões na Avenida Paulista discursando contra o PT nos idos de 2015, após a entrada de Bolsonaro no pleito eleitoral e seu crescimento meteórico.

Quando Bolsonaro cogitou colocar o membro da família imperial do Brasil, Luiz Phillipe de Orleans e Bragança como vice-presidente de sua chapa, Villa surtou! Mostrou despreparo e palpites excessivos em alguns assuntos os quais comenta diariamente, pois ficou claro que não leu o livro de Luiz Phillipe. Deu a entender para o ouvinte que o livro seria uma defesa da monarquia, quando na verdade é uma análise séria a respeito da República que ele mesmo tanto diz precisar ser refundada! Veja aqui.

Ainda na época das manifestações, quando se via na Paulista uma massa de pessoas com cartazes dizendo: “Olavo tem razão”, e que estavam ali muito por conta dos alertas de Olavo mesmo a respeito do PT, Foro de São Paulo, comunismo e outras coisas mais, feitos há anos (oportunidade em que este que vos escreve teve o privilégio de conhecê-lo através da publicação impressa do jornal Mídia sem Máscara) Villa já utilizava o microfone da rádio JovemPan para mentir a respeito do Professor Olavo, desqualificando-o, e mostrar profundo desconhecimento do que é o movimento comunista.

 

Essas são apenas constatações de um ouvinte desses jornalistas (antes, quando eu achava que me representavam, eu era bem mais assíduo), que os acompanha desde seu “surgimento midiático”, por assim dizer, passando pelos acontecimentos às quais vivenciamos enquanto país nos últimos 3 anos e percebendo a mudança sutil em seus discursos, que não são de direita, apesar de inflamados do antipetismo.

A partir de 2015, quanto mais o debate se moveu em torno da guerra política -e verdadeiramente democrática- de esquerda versus direita -que há mais de 3 décadas o país não via- menos esses pseudo-intelectuais e pseudo-formadores de opinião se mostram ao lado do povo brasileiro, que há apenas alguns anos eles mesmos diziam corresponder/representar.

Isto nos mostra que o estamento burocrático, do qual o Professor Olavo de Carvalho costumeiramente nos alerta, se aliou à grande mídia, e esta está em desacordo com o povo, que vê em Bolsonaro uma resposta aos anseios e opiniões da qual foi tolhido todos esses anos, esperança última de alguma chance de mudança efetiva no país. Lembremo-nos da estratégia das tesouras, com o jogo do poder que já passou de dentro do governo para a mídia, tentando nos manter na dicotomia do velho esquema PT-PSDB que vimos nos últimos anos.

 

Pessoas como Reinaldo Azevedo, Marco Antônio Villa e outros caíram do cavalo, mentiram sobre o Professor Olavo de Carvalho, mas a sua influência desde então só aumentou; batem cada dia mais em Bolsonaro, mentem, xingam, vociferam, mas ele só cresce nas pesquisas, correndo riscos de ser eleito em 1° turno.

Honra ao mérito, parte disto tudo, de todas as mudanças intelectuais e renascimento da verdadeira direita que temos visto na nação, partem precisamente da influência que Olavo de Carvalho implementou no debate público, dos conhecimentos que ele trouxe e dos alunos que formou em seu curso on-line de filosofia (alunos os quais já produzem frutos, como Senso incomum, Terça-Livre, Brasil paralelo -e, muito aquém destes que citei, Observatório Brasil- dentre outros).

 

Abra seu olho, não é porque alguém grita contra o PT que ele está ao seu lado, pensa como você. Ser anti-PT hoje é jogar para a torcida, é se autopromover ou fazer propaganda enrustida do seu esquema de poder predileto (no caso desses, o PSDBista).

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