qua. dez 19th, 2018

A Responsabilidade da Igreja Evangélica

É fato que em nossos dias acostumou-se a enxergar o evangélico como a figura mais pitoresca da sociedade. Ora pela visão distorcida de enganadores na TV e seus cegos seguidores (ávidos por uma galinha dos ovos de ouro divina, ou uma loteria gospel; e não por encontrar consolo espiritual e regeneração em Deus através de uma genuína mudança de vida. Eles,nada mais fazem do que seguir Mamom, deus bíblico representante da avareza mencionado por Jesus Cristo no Novo Testamento). Ora também por seus posicionamentos morais -Bíblicos, é bom que se lembre- quanto, principalmente: ao aborto, à união matrimonial de homossexuais, questões relacionadas às minorias raciais, entre outros assuntos da mesma natureza. Estes são temas de certa relevância atualmente na mídia em geral, porém vazios, porque só ganham holofotes graças ao desenvolvimento de uma hegemonia no pensamento da sociedade, muito fomentada desde os anos 1960 nos meios acadêmicos e institucionalizada pelos governos de esquerda do PT e do PSDB que tivemos nas últimas décadas (que, utilizando-se de políticas pautadas no pensamento de um pensador socialista chamado Antônio Gramsci, acabaram por preparar as mentes das pessoas para uma paulatina mudança cultural. Mas, este assunto em específico fica para outro momento).

Quanto ao primeiro grupo, só o mais leigo dos opinantes classificaria como ainda praticantes da genuína fé cristã, pois de há muito se desviaram do propósito bíblico da salvação e se transformaram em idólatras da igreja à qual congregam e do líder ao qual seguem. Obviamente, a totalidade dos evangélicos não age desta forma, sobretudo nas denominações históricas. Quanto ao segundo grupo (aqui sim a maciça maioria dos evangélicos, e muitos católicos também), são tachados de geralmente como ignorantes, retrógrados ou preconceituosos por não aceitarem que as tais práticas mencionadas (como o aborto, união homossexual, às vezes até o divórcio, etc) sejam impostas como regra social a ser seguida. Não podem exercer livremente sua opinião contrária a tudo isto, por considerarem tais práticas condenáveis e pecaminosas -não segundo eles próprios ou seus conceitos, mas segundo a Bíblia, sua regra de fé e prática. Cabe reconhecer que não são todas as pessoas na sociedade pensando assim dos evangélicos, só as mais encharcadas do discurso politicamente correto, que é fruto da estratégia de hegemonia do pensamento gramsciano (inclusive há facções cristãs católicas e evangélicas dominadas pelo esquerdismo imersas no politicamente correto. Aliás, cabe mencionar que, nas questões morais do cristianismo, católicos e protestantes estão em pleno acordo, e fazem muito bem em se unirem contra a relativização da moral empurrada goela abaixo na sociedade).

Tal visão não será modificada no curto prazo, e não escrevo para mostrar que há uma esperança de que se mude isto. Pelo contrário, é necessário que se mostre o caminho a ser seguido, tendo por base sempre pessoas preparadas para apontar tais caminhos. E não vamos falar aqui de que a situação não mudará porque a Bíblia nos diz que o mundo irá de mau a pior e jaz no maligno, pois isto seria abrir mão de uma responsabilidade maior que a igreja -e nós enquanto pessoas que procuram ler para se informar e tentar entender o que está acontecendo nessa época- tem para com a sociedade: a transformação, que primeiro deve ocorrer em nós mesmos. E muitos têm se colocado nessa zona de conforto, infelizmente.

E qual é a zona de conforto? Explico: pregar o evangelho e orar para que mais vidas sejam alcançadas, que ele seja pregado a todas as nações e que o Brasil seja mudado, é ótimo e tem seus proveitos, isto a igreja em geral, em maior ou menor grau, faz -e o problema não está aí, isto é parte da solução. Mas não é só isto, claro! Há que se fazer um trabalho de base nas igrejas, onde se prepare a pessoa desde criança para enfrentar a avalanche monstruosa de ideias as piores possíveis a que ela será exposta, principalmente através da escola, das mídias sociais e televisão. Adolescentes que precisam entender a qual tipo de ideias estão sendo expostos, de onde elas provêm e se eles não são nada mais que ratos de laboratório e experimentos sociais elaborados nos porões de universidades. Jovens que saibam contrapor argumentos ateus, ascéticos e que, muito provavelmente, o colocarão como única opinião dissonante em uma sala de aula de universidade com 40 alunos. Resumindo, caso não tenha ficado claro: a igreja hoje deve ser uma agência de transformação de almas e também de transformação cognitiva, de intelectos.

Se você está lendo este texto quer dizer que é uma pessoa minimamente interessada por algum conhecimento. Olavo de Carvalho, importante filósofo brasileiro, atualmente residente no estado da Virgínia – EUA, escreveu um importante artigo chamado: pela restauração intelectual do Brasil. Recomendo fortemente a leitura, pois ele mostra a necessidade de mais estudantes sérios no país; e você pode ser um deles. Engana-se quem pensa que estudante é o que frequenta a escola ou universidade. Qualquer pessoa que estude algo ou pesquise algum assunto seriamente, mesmo que por conta própria, é estudante. A pessoa hoje na universidade tem é de tomar cuidado para não sofrer lavagem cerebral e doutrinação. Estudante sério vai atrás do contraditório antes de formar opinião, não lê só o que o professor indica.

Ou seja, repousa sobre cada um de nós, que compomos o corpo de Nosso Senhor Jesus Cristo, a responsabilidade que citei mais acima, de trazer a seriedade do estudo de tudo isto que se passa na atualidade, de procurar entender e nos engajar na luta toda as absurdidades que vemos, a decadência moral da humanidade, a elevação do que há de pior na sociedade como apenas um modo de se viver a vida -é exatamente o que hoje ocorre em casos como a pedofilia e o aborto, por exemplo. Entendermos e ensinarmos às pessoas que tudo isso tem um sentido estratégico, elaborado cuidadosamente por pessoas com intenções políticas e de poder, darmos aos nossos irmãos condições de rebater essa onda de pensamentos jogados contra nós todos os dias através da mídia e órgãos de ensino, nos engajarmos na luta e entendermos qual a natureza dessa luta. Isto é o que devemos fazer!

Estamos em guerra, e, como todo combatente, não podemos andar desarmados ou seremos presas fáceis (na verdade já somos, há anos, porque desconhecemos as estratégias). Sun Tzu elenca 5 ações para o estrategista de combate, a primeira delas é: conhece teu inimigo. Este conhecemos, é o Diabo. Falhamos nos demais pontos traçados pelo pensador chinês, pois não conhecemos como essas estratégias estão sendo elaboradas e de quais maneiras somos usados em favor dela, seja tomando decisões errôneas por meio de voto, sendo omissos em diversos assuntos e não estudarmos a fundo algumas coisas antes de darmos opinião, ficando com definições da mídia e de professores da academia -muitas das vezes preconceituosas ou impregnadas de ideologias políticas. Esta é a hora de começarmos a desenvolver no meio cristão evangélico pessoas que tenham uma fé inabalável, guardem os preceitos de Cristo no coração, mas também saibam como agir e como lidar com tudo o que de errado aí está. Só indignação não basta, é necessário preparo. Visões de ensino diferentes dentro da igreja, a elaboração de planos de aula nas Escolas Bíblicas Dominicais que tenham em seu currículo assuntos seculares, a fim de instruir a igreja, formar opinião, elucidar. Precisamos usar a igreja, seus cultos e cátedras, para desmascarar os socialistas e esquerdistas, chamá-los do que realmente são: imorais! Qualquer coisa aquém disso será, ao mesmo tempo, compactuar tacitamente com: os mais de 100 milhões de mortos que os países socialistas e comunistas deixaram ao redor do mundo, ideologia de gênero, doutrinação nas escolas, sexualização precoce de crianças, apoio indiscriminado ao aborto, à relativização da pedofilia, liberação das drogas, destruição da família, ao preconceito e à perseguição contra a religião cristã e à divisão da sociedade entre “nós e eles”, tornando-a incivilizada.

Há igrejas onde a Escola Bíblica Dominical tem o menor espaço de tempo dentre os trabalhos da igreja, ou até foi suprimida! E depois não sabemos o porquê de perdermos os adolescentes, ou nossos irmãos estarem presos às cadeias das novelas e programas da Rede Globo de televisão! Nossos cultos de jovens trazem louvor atrás de louvor, mensagens muitas vezes vazias, mas não trazem o debate direcionado sobre temas da atualidade. Sua igreja já procurou saber o que cada jovem ouve na escola ou faculdade sobre evolucionismo e ajudá-lo no preparo para enfrentar este tipo de discussão? Estes, bem como aborto, ideologia de gênero, marxismo, ateísmo, relativismo, e outros, são assuntos que demandam uma pessoa dentro da igreja que faça como Olavo de Carvalho menciona no artigo que compartilhei com você ali em cima. Por quê não ensinarmos o que é ser um conservador ou um liberal (politicamente falando), já que são visões que casam perfeitamente com o evangelho? Com certeza a igreja no Brasil terá uma vida mais fácil no futuro se ensinarmos as crianças de hoje assim e conseguirá estabelecer estratégias melhores para sua atuação no mundo!

Este site e os trabalhos aqui publicados serão um esforço nesse sentido, elevar a intelectualidade cristã evangélica, dar subsídios aos que procuram alargar conhecimentos e defender a fé cristã mediante bons argumentos e novos conhecimentos, nas áreas de teologia, política, economia, filosofia, sociologia, história do Brasil e da cristandade. Nossos esforços serão sempre nesse sentido, conte conosco!

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