ter. jan 22nd, 2019

O dever cristão de desestatizar – DESESTASTIZE-SE!

Se você entende o que é o Estado, creio que este artigo falará clara e diretamente a você. Caso pense que Estado é um pedaço de terra, delimitado e demarcado por fronteiras, com uma administração local, você está errado; Isto é uma unidade da federação (o que quero dizer é que Estado aqui não tem a acepção: São Paulo, Acre, Pernambuco, Santa Catarina, Goiás etc). Se você fez esta ligeira confusão, leia isto.

Bom, desestatizar. Temos o dever cristão de ser contra todo tipo de estatismo. É complicado, estamos tão imersos em um ambiente cultural estatizante, que não percebemos até que ponto somos servos de um deus estatal, lhe damos uma atribuição e importância quase divina. O que, como cristãos, temos de ter somente em Deus. Não percebemos o quanto isso está incutido em nossa cabeça, e não podemos imaginar nossa vida sem a ação e a proteção do Estado nos envolvendo -algo comparado com o que cremos na ação do Espírito Santo.

De tão imergidos nessa intervenção estatal sobre nossas vidas (e quanto mais nos acostumamos a ela, menos percebemos o quanto o Estado interfere em todos os âmbitos da sociedade) não há como suprimir ou diminuir o Estado, ainda enxergamos os -poucos- a pregar a mensagem do enxugamento dos serviços públicos como uma espécie de malucos ou utópicos, pois é natural pensarmos não haver sociedade civilizada fora da atuação do Estado, como estamos acostumados. Com esses ocorre exatamente o mesmo que Platão descreve em seu mito da caverna, acabam por aniquilar aquele ser que se libertou das amarras estatais e quer mostrá-los que podem ser livres. Os poucos a enxergarem a estrutura do verdadeiro poder estatal agente nos dias de hoje são, na verdade, privilegiados. São como a uma voz do que clama no deserto, fazendo hoje o que João Batista fez quando percebeu estar próxima a aparição de Jesus Cristo.

O Estado arrogou para si todas as demandas de nossas vidas. Não há mais o senso de individualidade e autoconstrução impregnado nas pessoas, ninguém mais quer “se fazer por si mesmo”, antes, o senso-comum é que se viva no deleite do usufruto à base da contribuição alheia. Então, passou-se a cobrar por “direitos adquiridos universais e gratuitos”, coisas como: saúde, educação, previdência social -a popular aposentadoria-, lazer, segurança, alimentação, entre tantos outros que a constituição federal -socialista- brasileira equivocadamente prevê. Diversos são os autores que defenderam um Estado menor, menos interventor, e que, por consequência direta, desonera o cidadão -ou seja, que deixa mais dinheiro seu no seu bolso, para você usar como quiser, e menos dinheiro seu nas mãos dos burocratas de Brasília, para eles usarem como eles quiserem.
Pesquise por Murray Rothbard, Ludwig Von Mises, Friedrich Hayek e Fréderic Bastiat, só para começar.

Mas, temos ainda uma advertência de mais relevância do que estes autores mencionados acima, e que geralmente nos passa despercebido e é constantemente mal interpretado! Trata-se de Jesus Cristo em uma passagem no evangelho de São Mateus, denominada como pergunta sobre os impostos. Naquele contexto deixar de pagar imposto para o Império Romano seria um motivo para que os hipócritas denunciassem a Jesus, alcançando seu intento de o prenderem. Porém, o que não conseguimos fazer é deslocar isto para nossa vida hoje.

Ainda hoje devemos pagar impostos, por mais que os consideremos injustos, compulsoriamente ao Estado. O problema é que, diferente do texto bíblico, não temos uma efígie que represente ou personifique o Estado, e muito menos seu poder sobre nós, como na época havia O Imperador. Quando se olhava para O Imperador, via-se claramente o Estado. Hoje o Estado trata-se de algo onipresente e onisciente: ele sabe o que você faz, o que você compra, quem é exatamente você, o que você tem, e tenta a todo custo te controlar. Ou seja, à primeira vista fica mais complexo saber o que é o “dar a César” e o que é o “não dar a César” no Brasil do século XXI.

Ao arrogarmos demandas como as citadas anteriormente, chamando-as de direitos adquiridos, temos diversos problemas. O maior deles é que necessariamente o Estado começará a aumentar de tamanho, para que possa tomar conta dos tantos afazeres “sociais”, começando inevitavelmente invadir a esfera privada de nossas vidas. Nesta interferência haverá sempre uma limitação da sua liberdade enquanto pessoa em alguma instância, fruto do alargamento do poder e controle estatal.

Tomemos por exemplo a educação: não há maneira de se tirar da cabeça do Brasileiro comum que a educação é uma demanda estatal e que obrigatoriamente deve ser gratuita, um direito adquirido. Bom, é fato que temos visto cada vez mais a escola usurpando a mente de nossas crianças, ensinando-as pautas que, via de regra, não estão de acordo com nossa concepção moral ou filosofia de vida (homossexualismo, ideologia de gênero, apologia das drogas -geralmente através da falácia de eliminar das crianças a descriminação social-, sensualizando e instigando-as à sexualidade precoce, etc) são coisas que vem sendo plantadas nas cabeças das mais jovens crianças, em creches e ensino básico. Isso sem contar a desinformação a respeito de sistemas econômicos como o capitalismo e a aceitação como verdades inabaláveis o evolucionismo e o aquecimento global. Mesmo na escola particular não se está imune a isso, pois a diretriz educacional adotada é a BNCC (Base Nacional Comum Curricular). Ou seja, este ensino é padronizado pelo Estado em todas as escolas do Brasil.

A pergunta que deixo: será que já não estamos abdicando a educação de nossos filhos e entregando-os ao poder público? Aliás, educação se aprende em casa, escola não serve para educar, mas para escolarizar, desenvolver a cognição (outra farsa arraigada em nossas mentes, fruto de toda uma estrutura teórica defensora desse domínio estatal, como o sócio-construtivismo de Paulo Freire -grandemente desconstruído, e suas mazelas intelectuais escancaradas, pelos professores Thomas Giuliano e Armindo Monteiro, em seus respectivos livros: Desconstruindo Paulo Freire e Professor não é educador). Temos de tomar cuidado, pois a tendência já iminente é a de que o Estado passe a ser beatificado, e isto já ocorre em grande medida graças à uma nova mentalidade que vem sendo construída em universidades e escolas; cria-se um “cidadão crítico” que sairá de lá defendendo pautas específicas, com a cabeça moldada num pensamento de manada (ou dos estudantes secundaristas que você conhece, 90% não repetem a mesma balela sobre capitalismo ou sobre aquecimento global, fruto do ensino que recebem na escola? Se você quiser saber mais a respeito do porquê se ensinar e propagar tão veementemente a farsa do aquecimento global e quais os interesses e interferências da ONU nisto, clique aqui).

Há uma tendência de se pensar secularmente nos últimos tempos e não entendermos mais que colhemos os frutos de nossos esforços pessoais, cada qual tendo em troca aquilo que lhe é por direito, conquistado na base da labuta própria e não por coitadismo na força da lei, mas em esperar que alguém o faça compulsoriamente, mediante o esforço alheio. O evangelho nos ensina que a salvação é individual e fruto de uma árdua caminhada na terra, uma luta diária contra Lúcifer e seus demônios que, quando não podem tocar diretamente em nós, tentam intervir através de pessoas e situações, maquiavelicamente esperando ver-nos cair em seus laços de pecado. Ou seja, sabemos que vai para a vida eterna aquele que lutou arduamente em terra contra as forças do mal, pois somos como refugiados em seu principado de trevas imposto à humanidade.

Quando nos entregamos às ideias de esperar só que o Estado e o governo nos provejam tudo, sem pensar inclusive que este tudo é financiado por outrem compulsoriamente, via tributação, estamos “dando a César” o que compete a Deus. Estamos esperando de um instituto humano -chamado Estado- algo que vem de Deus, é quase que uma troca de divindades. Hoje em dia as pessoas esperam do grande Leviatã* que supra todas as suas necessidades, depositam nele sua fé e sua última esperança de aspectos abstratos como “justiça social” ou de aspectos pessoais como “saúde”.

O problema nisso é que a individualidade é suprimida, juntamente com a ideia de responsabilidade presente com vistas à prosperidade e uma recompensa futura, que é justamente a visão cristã de mundo. Então, começamos a trocar as ordens de importância e valor: não nos preocupamos com a educação dos filhos, pois a escola pública o faz; não nos preocupamos em deixar de gastar com TV a cabo ou trocando de carro para pagar um plano de saúde para nossos filhos, pois temos o SUS; não nos preocupamos em poupar para a velhice por conta própria (como, aliás, Provérbios 20:21 nos ensina) pois existe um INSS para prover isto. E por aí vai, a sociedade se degradando como temos visto, obviamente fruto destas más ideias.

Enfim, é quase como ser execrado defender ideias mais autônomas e liberais, porém com um estudo um pouco mais aprofundado vemos que é um dever cristão nos afastarmos o quanto mais pudermos do Estado a da dependência dele, ou seja, irmos na contramão do mundo. O teólogo e professor Nelson Lehmann da Silva em seu livro a religião civil do estado moderno mostrou, remontando inclusive fatos históricos, como desde o século XVII acontecimentos como Iluminismo e Renascença aceleraram a caminhada do Ocidente à uma secularização do cristianismo e uma divinização do Estado; isto só se acentuou no século XX com a ascensão de ideologias comunistas, positivistas e nacional-socialista.

Este assunto é complexo, e, com certeza, demandará mais artigos para um debate mais aprofundado. Por ora, a recomendação é que nos libertemos do risco de uma idolatria da figura humana (seja pessoal, com um salvador da pátria, seja na figura do Estado, o coletivo humano) como a solucionadora do caos natural do mundo, de todos os problemas que nos rodeiam (e para tudo há solução fora do Estado, não caia na farsa de que as demandas sociais só são resolvidas via políticas públicas), temos de ter uma dependência cada vez menor disso, embora livrar-nos dessa mentalidade e das instituições estatais seja custoso e demande um esforço grande (seria como vivermos sem pecado no meio do mundo corrupto e pecaminoso, em uma alusão para nós cristãos). Porém, não há fardo mais pesado do que possamos carregar. Portanto, animemo-nos uns aos outros com a síntese máxima: DESESTATIZE-SE!

*Monstro citado em Jó 3:8 associado geralmente ao domínio estatal sobre nós. Quanto mais este domínio cresce, maior o poder do Leviatã. O filósofo inglês Thomas Hobbes escreveu um livro sobre o Estado chamado O Leviatã. O professor e teólogo Brasileiro Nelson Lehmann da Silva em seu livro a religião civil do Estado moderno mostra diversos indícios de que, na verdade, a ideia de Hobbes deu origem a uma substituição da religião cristã pela religião estatal. Isto se viu com movimentos comunistas, socialistas e, hoje, vemos mais claramente através das demandas de minoria sociais e pela mentalidade de apropriação de um sem-número direitos inalienáveis que devem ser bancados pelo Estado, ambas defendidas pelos partidos socialistas. Infelizmente esses sem-número de direitos sociais presentes na constituição de 1988 nos fazem arcar -inevitavelmente- com uma das maiores cargas tributárias do mundo.

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